
O que é a escravidão de amor?
São Luís Grignion explica isto muito bem. A escravidão, entre os antigos, era imposta. Os pais tinham o direito de vender seus filhos como escravos, e era imposta, portanto, pelo pátrio poder. Era imposta pelos reis, que podiam vender seus súditos. Mas era sobretudo imposta pela guerra. Quando um país ganhava uma guerra contra outro, todos os súditos do país vencido passavam a ser escravos do país vencedor. Todo vencido de guerra era escravo.
São Luís Grignion diz bem que não é esta a escravidão de amor. Ela é um vínculo de dependência que nós aceitamos em relação a Nossa Senhora, porque amamos Nossa Senhora. Quer dizer, nós A queremos tanto, temos nEla tal confiança, que queremos fazer tudo quanto Ela quer, como um escravo quer fazer tudo que seu senhor quer. É uma dependência de amor. Não é imposta pelo despotismo, não é imposta pela força, é imposta pelo amor.
No que consiste isto? Consiste naquela união que Nosso Senhor já defendeu no Evangelho, quando falou dos apóstolos que não eram unidos a Ele. Ele disse: "Nem as vossas cogitações são as minhas cogitações, nem as vossas vias são as minhas". Isto quer dizer que quando as pessoas têm o mesmo pensamento, o mesmo querer e o mesmo agir, elas estão unidas.
Sendo Nossa Senhora a Rainha do Céu e da Terra, se eu tiver todas as cogitações de Nossa Senhora, quiser tudo o que Nossa Senhora quer e fizer tudo quanto Ela quer que eu faça, estarei unido a Nossa Senhora. Se minha vida é um contínuo fazer assim, sou escravo de Nossa Senhora. Mas sou escravo de amor, porque resolvi fazer isso pelo amor que tenho a Ela. Ela tinha esse direito, e resolvi atender o direito dEla. É uma alta e transcendental união de alma, que por essa forma se exprime, e que dá, de fato, numa obediência: porque Ela pensa, eu penso; Ela quer, eu quero; Ela quer que eu faça, eu faço. Eu dependo dEla em tudo.
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